Mulheres seguem com salários inferiores aos dos homens em Goiás, aponta IBGE

Levantamento aponta que o rendimento salarial masculino alcançou cerca de R$ 3,5 mil mensais, enquanto o feminino ficou em torno de R$ 2,4 mil (Foto: Freepik)

Relatório mostra ampliação da distância de renda e revela desigualdade racial persistente no mercado de trabalho goiano

5 de dezembro de 2025

A diferença salarial entre homens e mulheres voltou a crescer em Goiás e permanece entre as maiores do País. Dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram que as trabalhadoras goianas receberam, em média, 42% menos que os homens em 2024. O percentual supera o registrado no ano anterior, quando o distanciamento era de 41%, e reforça um cenário de desigualdade que se mantém praticamente inalterado ao longo dos anos.

Pelos números da Síntese de Indicadores Sociais, o rendimento masculino alcançou cerca de R$ 3,5 mil mensais, enquanto o feminino ficou em torno de R$ 2,4 mil (diferença de R$ 1,1 mil). Mesmo com maior inserção das mulheres no mercado de trabalho, o levantamento indica que elas continuam concentradas em ocupações de menor remuneração ou com menor acesso a funções de comando.

A pesquisa também detalha o comportamento da renda média no estado. Em 2024, o rendimento do trabalhador goiano ficou em R$ 3.095, abaixo da média nacional (R$ 3.208). Na capital, porém, o cenário é mais favorável. Goiânia registrou renda média de R$ 4.090, montante 32,1% superior ao do estado e próximo ao observado nas capitais brasileiras (R$ 3.936).

As disparidades também se ampliam quando o recorte é racial. Pessoas brancas receberam, em média, R$ 3.892 em Goiás, enquanto pretos e pardos ganharam R$ 2.674, uma distância de 45,5%. Embora menor que a registrada em 2023, quando a diferença chegava a 58,1%, o hiato permanece expressivo e evidencia obstáculos estruturais enfrentados pela população negra.

O IBGE aponta que esses resultados refletem um conjunto de fatores já identificados em levantamentos anteriores, como menor presença feminina em cargos de liderança, forte participação de mulheres e pessoas negras em atividades informais e diferenças acumuladas de acesso à educação e oportunidades profissionais. Mesmo com avanços pontuais, Goiás segue acima da média nacional em desigualdade de renda por gênero, segundo o instituto.

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